domingo, 6 de maio de 2012

Crônica de uma Tia Avó



Na minha família, ou talvez na minha cabeça, esses papéis de parentesco são bem definidos e quanto menos se espera se misturam.
O sentimento de pai e mãe é esse de quem tem filho com responsabilidade, e que já conhecemos, ou seja, saiu de você há de preocupar com a saúde, com a educação, alimentação e com o amor. Como pano de fundo se tem o apoio, por mais imperceptível, do resto da família. É como uma corrente. Meus sobrinhos não falam abertamente, mas dizem que é como uma fofoca...
Lá em casa as coisas ficam assim meio misturadas.. Tias e tios são meio que extensão dos pais. Com algumas chatices típicas de pais, conselhos, beijos, cuidados e acima de tudo contamos com um apoio incondicional. 
É sim! Apoio incondicional. A família é grande e esse apoio é inerente.
Quando meu formigão engravidou do seu segundo filho, digo segundo, pois o primeiro disputava um pouco com a minha idade, fiquei com um sentimento de amor tão esquisito, não sei se era como cuidar de um principezinho, era algo mais, um sorriso uma cantoria. E agora vendo todos os três, Rô, Xã e Mu fazendo parte do meu valor. Dá-me um orgulho tão comparado ao meu sentimento de mãe...
E os branquelos  do  meu irmão que sempre curtiu Raul Seixas.. Loiríssimos.. Alíás esta família se mistura até nas cores... Era tão bom ver seu primeiro filho correndo aos domingos, assistindo as vitórias do Airton Senna, e o coração de tia pulsava de satisfação na primeira formatura do pré do mais novo. Sorridentes, chorões, introspectivos ou não, mas do jeito de suas crias...
Tão nossos...
Quando nasceu a primeira menina da família, foi um alvoroço!  Por tudo: condição, preocupação... Solução.  E veja! Daqui a pouco ela faz 15 anos.
Enfim, pensávamos que o sentimento por eles não se iguala, mas sim! Iguala-se, qualquer passo falso, qualquer alegria, vem àquela sensação de quem se ama. Preocupação e orgulho.
Ser tia é tão bom, eu particularmente curtir todas as maternidades da minha cunhada que teve a primeira menina da família, desde a barriga até os primeiros aniversários com bolo, guaraná e enfeites. Os primeiros passos, o de me passar por mãe do meu sobrinho de olhos claros, eu e ele, nós dois parecíamos o menino maluquinho. E a nossa menina!  Ela aprendeu a andar primeiro do que todos os meninos. Eiiita Menina mais que forte!
E o Pedrão me acordando as 7:00 da manhã do sábado, depois de enfrentar a faculdade até 11:00 da noite, ele entrava gritando no meu quarto:
- Tiaaaaaaaaaaa.. Vamos tomar café da manhã, colocando o seu rostinho na minha barriga até que o meu olho cansado e às vezes bravo, olhasse pro dele. Um olhar inesquecível... Que alimentava a alma de tia...
Ganhamos um sobrinho postiço e mais uma princesa... E o sentimento? O mesmo, não se muda.
É assim, ser tia confronta com a sensação mais subjetiva, por quê?  Por que você não quer ultrapassar o limite de pais, mas de repente que se dane... Eu amo de qualquer forma então vamos lá... Tia reza, passamos a rezar mesmo!
De fora, podemos atuar dos dois lados... Coitados dos pais e coitados dos sobrinhos... Podemos palpitar independente de que lados nós estamos.
Quando fiquei grávida dos meus gêmeos, mesmo na barriga eles só se acalmavam na casa da minha irmã mais nova, tudo lá meio que conspirava para acalma-los. Eu dormir várias vezes na casa dela, e como se não bastasse ela estava lá as 05h00min horas da manhã do dia 16 de abril de 2004 esperando seus mais novos sobrinhos que iriam nascer logo mais.
E o meu irmão Gil, que recorrentemente visitou os seus sobrinhos nos 10 dias de UTI, levando apoio e cuidando de algumas burocracias.
Esse sentimento de tia(o)  foi compartilhado muitas vezes, nas febres, hospitais, tratamentos dermatológicos e tudo mais.
E as tias distantes, como controlar esse sentimento? Os meus filhos visitam as tias do Rio quando possível uma vez por ano... E o mais emocionante é ver os olhares que se cruzam, é um sentimento tão valoroso que nós pais somos realmente personagens coadjuvantes.
Agora sou tia avó, duplamente. Que sentimento novo.. Seja bem vindo nova geração. Agora é com seus pais.
Daqui a pouco serão os novos pais vendo DVD’s e chorando...
É claro! As tias também estarão lá contribuindo com o chororô mesmo que distante.
 Logo mais teremos mais histórias...



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