Na minha família, ou talvez na minha cabeça, esses papéis de
parentesco são bem definidos e quanto menos se espera se misturam.
O sentimento de pai e mãe é esse de quem tem filho com responsabilidade,
e que já conhecemos, ou seja, saiu de você há de preocupar com a saúde, com a
educação, alimentação e com o amor. Como pano de fundo se tem o apoio, por mais
imperceptível, do resto da família. É como uma corrente. Meus sobrinhos não falam
abertamente, mas dizem que é como uma fofoca...
Lá em casa as coisas ficam assim meio misturadas.. Tias e
tios são meio que extensão dos pais. Com algumas chatices típicas de pais,
conselhos, beijos, cuidados e acima de tudo contamos com um apoio incondicional.
É sim! Apoio incondicional. A família é grande e esse apoio
é inerente.
Quando meu formigão engravidou do seu segundo filho, digo
segundo, pois o primeiro disputava um pouco com a minha idade, fiquei com um
sentimento de amor tão esquisito, não sei se era como cuidar de um
principezinho, era algo mais, um sorriso uma cantoria. E agora vendo todos os três, Rô, Xã e Mu fazendo parte do meu valor. Dá-me um orgulho tão
comparado ao meu sentimento de mãe...
E os branquelos
do meu irmão que sempre curtiu
Raul Seixas.. Loiríssimos.. Alíás esta família se mistura até nas cores... Era
tão bom ver seu primeiro filho correndo aos domingos, assistindo as vitórias do Airton
Senna, e o coração de tia pulsava de satisfação na primeira formatura do pré do mais novo. Sorridentes,
chorões, introspectivos ou não, mas do jeito de suas crias...
Tão nossos...
Quando nasceu a primeira menina da família, foi um
alvoroço! Por tudo: condição,
preocupação... Solução. E veja! Daqui a
pouco ela faz 15 anos.
Enfim, pensávamos que o sentimento por eles não se iguala,
mas sim! Iguala-se, qualquer passo falso, qualquer alegria, vem àquela sensação de quem se ama. Preocupação e orgulho.
Ser tia é tão bom, eu particularmente curtir todas as
maternidades da minha cunhada que teve a primeira menina da família, desde a
barriga até os primeiros aniversários com bolo, guaraná e enfeites. Os primeiros passos, o de me passar por mãe do meu sobrinho de olhos claros, eu e ele, nós dois
parecíamos o menino maluquinho. E a nossa menina! Ela aprendeu a andar primeiro do que todos os
meninos. Eiiita Menina mais que forte!
E o Pedrão me acordando as 7:00 da manhã do sábado, depois
de enfrentar a faculdade até 11:00 da noite, ele entrava gritando no meu
quarto:
- Tiaaaaaaaaaaa.. Vamos tomar café da manhã, colocando o seu
rostinho na minha barriga até que o meu olho cansado e às vezes bravo, olhasse pro dele. Um
olhar inesquecível... Que alimentava a alma de tia...
Ganhamos um sobrinho postiço e mais uma princesa... E o
sentimento? O mesmo, não se muda.
É assim, ser tia confronta com a sensação mais subjetiva,
por quê? Por que você não quer
ultrapassar o limite de pais, mas de repente que se dane... Eu amo de qualquer
forma então vamos lá... Tia reza, passamos a rezar mesmo!
De fora, podemos atuar dos dois lados... Coitados dos pais e
coitados dos sobrinhos... Podemos palpitar independente de que lados nós
estamos.
Quando fiquei grávida dos meus gêmeos, mesmo na barriga
eles só se acalmavam na casa da minha irmã mais nova, tudo lá meio que
conspirava para acalma-los. Eu dormir várias vezes na casa dela, e como se não
bastasse ela estava lá as 05h00min horas da manhã do dia 16 de abril de 2004
esperando seus mais novos sobrinhos que iriam nascer logo mais.
E o meu irmão Gil, que recorrentemente visitou os seus
sobrinhos nos 10 dias de UTI, levando apoio e cuidando de algumas burocracias.
Esse sentimento de tia(o)
foi compartilhado muitas vezes, nas febres, hospitais, tratamentos
dermatológicos e tudo mais.
E as tias distantes, como controlar esse sentimento? Os meus
filhos visitam as tias do Rio quando possível uma vez por ano... E o mais
emocionante é ver os olhares que se cruzam, é um sentimento tão valoroso que
nós pais somos realmente personagens coadjuvantes.
Agora sou tia avó, duplamente. Que sentimento
novo.. Seja bem vindo nova geração. Agora é com seus pais.
Daqui a pouco serão os novos pais vendo
DVD’s e chorando...
É claro! As tias também estarão
lá contribuindo com o chororô mesmo que distante.
Logo mais teremos
mais histórias...