domingo, 13 de maio de 2012

Noêmia


Acordei! Antes só te via não te percebia.
Embrulhada em seus afazeres, com uma dependência masculina, tão pouco compreendida.
Uma cria atrás da outra. Um cansaço! Pouca comunicação.
E eu não te percebia, só te via,
Num cuidado inerente de quem procria.
Funções e mais funções dadas pelo mundo de manipulações..
Muitos te viam, poucos te percebiam...
Criastes mulheres fortes! Muito próximo daquilo que você via nos espelho..
Mas tão longe da sua linguagem.
E foi aí que passei a te perceber... A atitude algumas vezes está além da linguagem..
Jogar-nos para realidade talvez de seu modo pouco polido me fizesse ser assim.
Lidar com o mundo não sem medo, mas o tornar claro e sem rodeio foi o que aprendi.
Nunca vou esquecer quando me deixou Leopoldina, fui personagem, representei uma mulher que fora traída, em dias da mais verdadeira submissão...  Mulher como muitas, não deixou seu posto, e foi lá dizer ao povo que seu marido e senhor tentava serenar os ânimos daqueles que queriam a independência...
Independência! Órfã de pai ainda criança... E ainda tão nova se tornou esposa. Em que momento se sentiu independente? Quando jogava panelas no chão? Ou em fúria tentava lidar com o que a vida lhe reservou, ou melhor, com as suas escolhas já direcionadas por uma época.
E o seu olhar foi envelhecendo, e a cada dia fui te percebendo. Ajoelhada diante de suas velas, e em suas rezas diárias fui te percebendo...
Tornei-me mãe! E não só te percebi, passei a entender...
Quando eu estava lá na maternidade, senti sua falta. Quando lá você chegou, o seu olhar de mãe estava ali não procurando por seus netos, mas sim por mim... E a sua primeira frase foi:
- Minha filha como você está? Esse é o sentimento!
E foi sempre assim, do seu jeito e da sua maneira você nos percebe...

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