Acordei! Antes só te via não te percebia.
Embrulhada em seus afazeres, com uma dependência masculina,
tão pouco compreendida.
Uma cria atrás da outra. Um cansaço! Pouca comunicação.
E eu não te percebia, só te via,
Num cuidado inerente de quem procria.
Funções e mais funções dadas pelo
mundo de manipulações..
Muitos te viam, poucos te
percebiam...
Criastes mulheres fortes! Muito
próximo daquilo que você via nos espelho..
Mas tão longe da sua linguagem.
E foi aí que passei a te
perceber... A atitude algumas vezes está além da linguagem..
Jogar-nos para realidade talvez de
seu modo pouco polido me fizesse ser assim.
Lidar com o mundo não sem medo,
mas o tornar claro e sem rodeio foi o que aprendi.
Nunca vou esquecer quando me deixou
Leopoldina, fui personagem, representei uma mulher que fora traída, em dias da
mais verdadeira submissão... Mulher como
muitas, não deixou seu posto, e foi lá dizer ao povo que seu marido e senhor
tentava serenar os ânimos daqueles que queriam a independência...
Independência! Órfã de pai ainda
criança... E ainda tão nova se tornou esposa. Em que momento se sentiu
independente? Quando jogava panelas no chão? Ou em fúria tentava lidar com o
que a vida lhe reservou, ou melhor, com as suas escolhas já direcionadas por
uma época.
E o seu olhar foi envelhecendo, e
a cada dia fui te percebendo. Ajoelhada diante de suas velas, e em suas rezas
diárias fui te percebendo...
Tornei-me mãe! E não só te
percebi, passei a entender...
Quando eu estava lá na maternidade,
senti sua falta. Quando lá você chegou, o seu olhar de mãe estava ali não
procurando por seus netos, mas sim por mim... E a sua primeira frase foi:
- Minha filha como você está? Esse
é o sentimento!
E foi sempre assim, do seu jeito e
da sua maneira você nos percebe...
Nenhum comentário:
Postar um comentário